Nossa viagem para o Vale do Colchagua foi programada por acaso. Conseguimos uma passagem de milhas por 7 mil pontos o trecho para Santiago e nao queriamos apenas esquiar. Como já havíamos ido a Mendonza, resolvemos conhecer o Vale.

Após chegarmos de Valle Nevado, dormimos uma noite em Santiago, hotel Plaza El Bosque Nueva las Condes, diária de aprox. USD100. Adoramos esse hotel. Super novo, bem decorado, atendimento cordial, localização ótima (gostamos do bairro Las Condes) e café da manhã maravilhoso.

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De manhã, seguimos de carro, para o vale. Alugamos uma bmw serie 1 na Sixt, que nos deu um upgrade para uma X1 por mais 10 dolares por dia. Total do aluguel pelos 7 dias foi de USD620. Foi ótimo. Após 2 horas de viagem, chegamos ao hotel escolhido: o hotel Santa Cruz. Conhecido como um dos melhores do local, ficamos em um quarto de  bom tamanho, de frente para a praça e bem confortável. Café da manhã farto e gostoso. Diária aproximada de USD200.

 

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O Vale do Colchagua fica a 190km ao sul de Santiago, e é conhecido pela produção dos melhores vinhos chilenos. Com terras férteis, pouca produção de chuva, o que possibilita um amadurecimento total dos vários tipos de uvas cultivadas na região, clima estável e seco (que evita as pragas) e constante variação de temperatura  (no verão, muito sol e noites frias, com temperaturas entre 12ºC  e 28ºC, e 12ºC e 4ºC, no inverno) torna o Vale  um paraíso para o cultivo de uvas tintas e produção de vinhos.

As principais  uvas presentes no Vale de Colchagua são as tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenère, Syrah e Malbec.  São 39 vinícolas, algumas centenárias, e um cultivo de quase 12 mil hectares de uvas cabernet sauvignon e mais 8 mil de carménère, merlot e syrah. A produção de uvas brancas se dá de forma reduzida e as principais variedades são Chardonnay e a Sauvignon Blanc.

A cidade de Santa Cruz é uma cidade pequena e sem muitas opções de lugares gostosos para comer (na época que fomos). Domingo à noite, por exemplo, saímos em busca de um restaurante para jantar e terminamos no hotel, no restaurante Los Varietales, pois todos os lugares possíveis estavam fechados. A comida do hotel não é das melhores, mas matou nossa fome.

Bom, vamos ao que interessa… as vinícolas.

Já saímos do Brasil com todas as visitas marcadas. Chegamos lá no sádado, dia 30 de agosto de 2014, e tínhamos uma visita marcada na vinícola Neyen às 16:30. A guia errou a data e não compareceu ao local e fomos informados para voltarmos no dia seguinte…assim fizemos. Saindo de lá,fomos em busca de alguma vinícola que não tinhamos agendado visita, para tentar conhecer algo novo. Passamos na MontGrass (não tinha horário), Apaltagua (não é aberta ao público), Estampa (guia em férias) e acabamos na Laura Hartwig. Um vinhedo de 80 hectares, onde não são utilizados todos para a produção de seus 300.000L de vinhos. Sua produção é das uvas: merlot, cabernet sauvignon, petit verdot, carménère e syrah. O horário de visita já tinha acabado, mas fomos recebidos pela guia Mitzi, que foi muito simpática e receptiva. Nos levou para dar um passeio rápido pela área aonde os vinhos são produzidos e depois seguimos para a loja aonde foi feita a degustação dos vinhos. Eu escolhi o petit verdot (monovarietal) e o Joca o gran reserva (cabernet sauvignon 38%, carmenere 35%, syrah 24% e petit verdot 3%). Mitzi nos serviu uns petiscos e batemos um bom papo, apreciando bons vinhos. Após a primeira taça, passamos para a segunda. Eu escolhi o carménère (monovarietal) e o Joca continuou no gran reserva. Gostei muito também, mas o meu favorito foi o petit verdot. O preferido dele nem preciso dizer qual foi…Saímos de lá muito satisfeitos com a recepção e com  dois vinhos na mala: o petit verdot e o Laura (não degustamos esse pois é o vinho top e não servem na degustação). O preço da degustação varia com o vinho escolhido, sendo entre USD5 a USD9 a taça.

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Domingo pela manhã fomos a Viu Manent. Escolhemos o tour em inglês, mas nosso guia falava português e assim fizemos. A Viu Manent tem 254 hectares mas apenas uma parte fica no Vale do Colchagua, por onde fizemos a visita. Começamos com um passeio guiado de charrete pelas parreiras (muito legal!) e seguimos para a área de produção, onde degustamos um vinho direto do tonel de inox (o vinho já estava pronto e sendo apenas armazenado nesse tonel). Continuando a visita, conhecemos os novos tonéis de concreto em formato de ovo e as barricas. Seguimos para a melhor parte….a degustação. Lá foram feitas degustações de 5 vinhos…isso mesmo, 5 vinhos: Gran reserva chardonnay 2013, reserva carménère 2013, secreto pinot noir 2013, gran reserva malbec 2012 e la capilla cabernet sauvignon 2012. Nosso favorito foi o gran reserva malbec. Após a visita fomos almoçar no restaurante dentro da Viu Manent, o Rayuela. Já tínhamos reserva. O restaurante é muito bom e, mesmo em baixa temporada, tem que ter reserva pois está sempre cheio.  Comemos e bebemos muito bem. Super vale a visita e o almoço.

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Á tarde, voltamos para visitar a Neyen. Vinícola linda e muito antiga. Localizada no Vale do Apalta, com 120 hectares e parreiras com mais de 120 anos. Essa vinícola só produz um vinho, o “Spirit of Apalta” que é uma mistura de carménère e cabernet sauvignon. Isso tornou a degustação interessante pois foi uma degustação vertical do mesmo vinho. Experimentamos a safra 2009 e 2010, que tem o mesmo percentual de cada uva (pode variar de ano para ano). Vinhos totalmente diferentes, sendo vinhos iguais. Eu gostei mais do 2009 e o Joca a de 2010. Trouxemos uma garrafa de cada.

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Na segunda de manhã, fomos a Lapostolle. Lá é produzido o Clos Apalta, um dos ícones chilenos. Um vinhedo lindo com uma sede maravilhosa. Construída verticalmente, funciona por gravidade, fazendo com que o vinho desça naturalmente em cada etapa da produção, evitando a utilização de bombas. Só utilizam tonéis de carvalho francês. A sala de degustação é a mais linda. Com iluminação no teto como se fossem estrelas e uma mesa de degustação em vidro, que quando você chega perto e olha para baixo, está a adega particular dos donos da vinícola. Isso, por si só, já vale a visita. Nossa visita não foi completa pois estava chovendo. Conhecemos a parte da produção e seguimos para a degustação. Degustamos 3 vinhos: Casa sauvignon blanc 2013, Cuveé Alexandre carménere 2012 e o Clos Apalta 2010. Deliciosa experiência. Após a visita, fomos a loja e conhecemos o Borobo. Um vinho do mesmo padrão do Clos Apalta, sendo uma mistura de uvas de 3 regiões da França: Bordeux, Rhone, Borgonha. Vale a compra! Conversando com o guia (que falava português muito bem), perguntei se poderíamos almoçar ou jantar no hotel. Expliquei que queria ter ficado hospedada lá, mas que o hotel ficava fechado no mês de agosto e ele nos informou que o hotel era privativo para os hóspedes. Então perguntamos se havia disponibilidade. Para nossa sorte, havia um quarto disponível para apenas 1 noite. Como nós iríamos embora no dia seguinte mesmo, perguntamos o valor. USD1500 a diária. Isso mesmo….um relais & chateaux. Papo vai, papo vem, nos concederam um desconto de 15% e nos prometeram um Borobo no jantar (usd120). Não pensamos duas vezes, voltamos para o nosso hotel, conseguimos o reembolso da última noite e voltamos para a Lapostolle. Deixamos nossas malas, pois o check in era apenas as 16:30 e fomos almoçar.

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Chegamos então na Vinã Montes. Tentamos almoçar por lá, no Bistrô Alfredo, mas o restaurante estava cheio. Ficamos então em uma mesinha para comer uns petiscos, mas teve uma desistência e conseguimos sentar em umas das 3 mesas existentes no restaurante. Por isso, se quiserem ir e não contar com a sorte, façam reserva. Comemos super bem. Visual lindo. Vale a reserva! Seguimos então para a visita. Uma vinícola mais moderna, tour mais turístico. Na sala das barrigas toca música  de canto gregoriano. Interessante! Fizemos degustação de 4 vinhos. Boa degustação!

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Voltamos para a Lapostolle, nosso novo lar. Um relais & chateaux, com apenas 4 quartos, que são chamados de casitas. Chegando lá, fomos levado para a sala da casa principal. Um lugar super aconchegante. Fomos atendido por uma menina super simpática que nos fez várias perguntas sobre alimentação, gostos, restrições, alergias e agendamos o horário do jantar…em seguida fomos levados para a nossa casita, a casita Merlot. Um carro de golf nos buscou na casa principal e nos levou até a casita. Chegando lá, a surpresa. Que lugar lindo!!! Uma casa no meio do mato com vista em todos os cômodos para a  vinícola. Um quarto gigante com uma cama maravilhosa, uma varanda com vista para as parreiras e o banheiro…ah o banheiro…todo em vidro com a mesma vista maravilhosa, uma banheira, robes, pantufas e produtos l´occitane para usufruirmos ao máximo nossa estadia. Um vinho tinto canto de apalta de boas vindas e o frigobar repleto de água, petiscos e um vinho branco casa que podem ser consumidos sem custo extra. Simplesmente sensacional!!!!! Chegando a hora do jantar, o carro veio nos buscar e levar de volta para a casa principal. Nos sentamos a mesa e veio o menu. Um menu especial para cada hóspede com o nome do hóspede impresso no mesmo. Muito bom! Nos serviram um pisco de entrada, seguido de um vinho branco e finalizamos com o Borobo, conforme tinha sido prometido na visita. Que vinho! Finalizando o jantar, o Joca sentiu vontade de fumar um charuto e perguntou se havia algum para ser vendido. Veio o garçom com uma caixe de charutos (cohibas, e outros cubanos) e disse que estava incluído em nossa estadia. Êxtase total!!! Finalizamos o charuto e nosso maravilhoso vinho e seguimos para o quarto. Chegando lá, nossa lareira já estava acessa e o quarto aquecido esperando nossa chegada. Pela manhã, seguimos para o café (também escolhido na noite anterior). Que café! Após o café pedimos para fazer a visita à adega particular dos donos da vinícola, que é permitida apenas para os hóspedes. Seguimos então para a sala das barricas, onde tem a tal mesa de vidro…lembram??? De repente, ele abre a mesa, levanta o tampo, expondo a escada que nos levaria à adega. Uma adega com todas as safras do Clos Apalta e outros vinhos da preferência dos donos. Nossa!! Um sonho de adega! Além de excelentes vinhos, uma arquitetura linda, com vista para a pedra que compõe o solo da vinícola. Lindo demais!!!

Seguimos para o almoço. Sentamos na sala para aguardar a hora do almoço. Vinho branco sendo servido com uns petiscos na sala principal. Um bate papo gostoso para acompanhar… Almoço também com menu especial e vários ótimos vinhos para harmonizar a deliciosa comida do chef. Após o almoço, tivemos que ir embora desse sonho de hotel pois tínhamos um voo para pegar.  Para quem se programar antes, as visitas à Lapostolle e à vinã Montes já estão incluídas da diária do hotel. Sei que o preço é salgado, mas vale cada dólar pago.

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